
Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Esse poema de Drummond permance vivo em nossas mentes até o dia de hoje, ou não seria um clássico. Mas ao pensarmos no ato de amar, como defini-lo?
AMAR, verbo transitivo direto, que não precisa de um apoio para que o objeto seja alcançado.
Em dias atuais a humanidade vem se perdendo no caminho e cada vez mais desconhece o que é o amor. Não se pode afirmar o que realmente acontece com as pessoas que cada vez mostram-se vazias e fúteis. Nossas máscaras são sempre postas e estamos diante de um perpétuo baile de máscaras com nossa dança desenfreada e desajustada. Não se toca não se sente não vê.
As salas de bate papos vivem lotadas de pessoas em busca de sua “cara metade”, as relações virtuais ganham mais espaço que a vida real. A fantasia, a busca pelo sexo fácil, rápido e gratuito tem sido o grande joguete do momento. Nisso se vê a falta de amor próprio ou seria o medo de encarar o outro face a face? Ou seria um mecanismo para acabar de vez com a solidão?
A TV, o rádio e o cinema vendem um amor fácil, rápido. Nossos ídolos nos embriagam com seus amores e casamentos pomposos, mesmo que estes durem apenas dias. As meninas, sobretudo, têm suas fantasias alimentadas às asas da imaginação com casamentos gloriosos à La Kate ou romances frívolos de reality show ou esperam viver uma saga crepuscular. Os meninos esperam uma transa e nada mais ( quiçá que a camisinha não estoure).
Ao que se entende por família a situação tende a ser pior, cada vez mais vem se deteriorando, enfraquecendo com vícios das drogas como álcool e craque, com a falta de afeto e outras coisas. O número de divórcios tem crescido nos últimos anos, segundo dados do IBGE. Outras vezes somos surpreendidos com homicídios ocorridos dentro da própria família ou os ditos crimes passionais. É nesse estado desgastante que temos visto a família atual.
Contudo ainda creio que existe uma chance para o amor, creio que a esperança não morreu e com um pouco de sorte veremos o homem mudar, não sei quando nem como. Acho que isso é fé.
"Ainda encontro a fórmula do amor." Seja na sobrenaturalidade ou no meu processo de ser gente, para tanto existe um personagem em uma história que me fascina e pasmem, me inspiro nele para entender o que significa amor, nem sempre compreendo, entendo que sou demasiadamente superficial para interiorizá-lo, talvez está aí a brutalidade comigo mesmo, mas pelo menos tento e não custa ir tentando, eis o personagem e a fórmula, Deus.
ResponderExcluirDiante dos fatos expostos tentamos adivinhar onde está o amor. Amar é se entregar ... não se espera nada em troca ... amar é amar ... é sentir ... é deixa-se envolver ...é cumplicidade ... é uma mistura de bons sentimentos ... é confiar ... é ter cuidado e não ciúmes ... Se alguém procura isso nas redes sociais ou nonhos de fadas ... em vão.
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